Capturar rainhas
Durante maior parte do ano é possível encontrar rainhas de diferentes espécies. No início da Primavera e no início do Verão é normal voarem espécies ao final da tarde e pôr do sol. São atraídas por luzes fortes, podendo aparecer em varandas ou pátios exteriores. No início do Outono voam normalmente de manhã ou durante o dia com o despontar do sol por entre as nuvens, normalmente após as primeiras chuvas. Um dos factores determinantes para ocorrerem revoadas é a ausência de vento. A esmagadora maioria das espécies portuguesas são chamadas de claustrais, ou seja não precisam de qualquer alimento até nascerem as primeiras obreiras. Elas escavam ou procuram uma pequena galeria, chamada claustro, onde repousam e depositam os ovos e transformam os próprios músculos alares em alimento que segregam para alimentar as larvas. Com isso conseguem criar entre 5 e 15 pequenas obreiras funcionais que irão depois procurar comida e assumir as funções de manutenção da colónia.
Última atualização: 6-Outubro-2026
01Como identificar rainhas
As rainhas são as responsáveis pela reprodução das formigas. São elas que nos formigueiros põem os ovos de onde nascem as obreiras mas também as "princesas" ou futuras rainhas. A principal característica das rainhas é o facto de terem asas. Essas asas são usadas apenas uma vez para fazerem o chamado voo nupcial ou revoada. Nesse voo elas encontram machos da sua espécie mas de formigueiros diferentes e são fecundadas. Os machos também têm asas mas são mais pequenos que elas e nunca as perdem. Após a fecundação as suas asas acabam por cair. Devemos apanhar as rainhas apenas depois de perderem as asas ou corremos o risco das mesmas não estarem fecundadas. Após perder as asas a identificação da rainha é feita pela comparação do tamanho das diferentes partes do corpo, nomeadamente da parte central, o tórax, em relação às restantes. Como teve asas, o tórax é muito desenvolvido para suportar os músculos de voo, sendo maior que a cabeça e quase do tamanho do abdomen (barriga) da rainha. Nas obreiras o tórax é muito mais pequeno que a cabeça ou o abdómen. Deve recolher algumas rainhas usando um recipiente que impeça a sua fuga e que permita a circulação de ar para não sufocarem, como uma pequena garrafa de água usando uma rolha de papel amassado para tapar.
02Preparar um claustro
O setup ideal para rainhas é um pequeno tubo de ensaio com água e algodão. Deve encher metade do tubo de ensaio com água e depois empurrar uma bola de algodão dentro do tubo para conter a água. Não deve ficar muito apertado nem muito largo. Deve depois secar a outra metade do tubo, se necessário, com um pedaço de papel absorvente de forma a não ter água nas paredes. Colocar a rainha e fechar a entrada com um pouco de algodão seco de forma a que a rainha não escape. A rainha deverá ter cerca de 4 a 10cm de espaço disponível. Tente sempre apanhar mais que uma rainha. Por diversas razões a taxa de sobrevivência é baixa e o fracasso pode levar ao desânimo e frustração. Aumentando o número de rainhas aumenta a probabilidade de conseguir fundar uma colónia de raiz! Cada rainha tem de ficar isolada num tubo de ensaio sozinha. Depois pode mesmo optar por libertar as colónias "suplentes", contribuindo assim para a manutenção da espécie na Natureza ou até oferecer de prenda a amigos que partilhem desta paixão!
03Colocar num local sossegado e escuro
Deverá colocar a rainha num local escuro e sossegado. Pode usar uma pequena caixa de cartão com um pequeno pano para evitar que os tubos Não deverá estar sempre a verificar como está a rainha pois o stress e as perturbações podem ser prejudiciais. Alguns dos locais que aconselhamos são uma zona alta, como a prateleira mais alta de uma estante, em cima de um roupeiro Dependendo da espécie, as primeiras obreiras podem levar 1 ou 2 meses a nascer, como é o caso das Camponotus, Lasius ou Pheidole ou até 6 meses como no caso das Messor. Após o nascimento das obreiras deverá adicionar o primeiro alimento. Para ter a certeza de que tipo de alimento adicionar é importante identificar correctamente a espécie. Para isso pode enviar-nos algumas fotografias ou usar alguns dos sistemas online como o INaturalist ou o modelo de IA do site https://antscout.com/tools/ant-identification